District 9: Naves, Camarões e DNA

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District 9, inovando numa área onde não se procura inovar

Sabe aqueles típicos sci-fi blockbsuters hollywoodianos? Daqueles que tentam "inspirar-se" em Star Wars e/ou Star Trek, mas só causam vergonha alheia constrangimento? Então, District 9 não é um deles.

District 9 (ou Distrito 9, no Brasil) se passa em um futuro próximo, após a chegada de um grupo de extraterrestres à Terra - à África do Sul, mais precisamente. Nesse ponto já se percebem as diferenças em relação aos sci-fi médios; os aliens pararam aqui na Terra por falta de combustível, sem qualquer intenção de dominar o planeta ou implantar sondas anais em humanos ou fazer desenhos em nossas plantações, eles instalaram-se aqui simplesmente por falta de opção.

Unidos venceremos! Ou não!

Após o primeiro contato com os humanos, os aliens são alojados em um gueto campo de refugiados que, com o grande aumento populacional, acaba se transformando em uma favela. E, como toda favela, o D9 começa a mostrar-se um incômodo para a sociedade de Joanesburgo, o que leva a MNU (ou ONU?) a realocá-los em um novo(?) e melhor(??) gueto, mas com a real intenção de se apropriar de suas armas, as quais possuem tecnologia extremamente superior e só podem ser ativadas em contato com DNA alienígena. O designado para coordenar a locomoção (leia-se: despejo dos aliens) é Wikus Van De Merwe, um otário inexperiente funcionário que só consegue o cargo por conta de contatos na alta cúpula da MNU.

Wirkus, um Freddie Mercury renegado

É com Wikus que ocorre o fator determinante do desenvolver do enredo. Durante uma "visita" ao D9 para entregar as ordens de despejo aos "camarões" (como os aliens são carinhosamente apelidados pelos humanos devido a seu aspecto artrópode e vida marginal), Wikus entra em contato com um líquido preto produzido pelo alien Christopher Johnson, e este líquido o "contamina" com código genético alienígena. A partir daí se desenvolve a trama principal do filme, a qual não vou contar porque odeio spoilers.

Mas, apesar do ótimo enredo, isto não é o principal em District 9. O filme é, antes de mais nada, sobre convivência em sociedade. Logo em uma das primeiras cenas somos introduzidos ao equilíbrio social existente em Joanesburgo: placas e cartazes do governo delimitam as áreas de ocupação exclusivamente humana - quase toda a cidade - e as áreas de ocupação "não-humana" - essencialmente, o D9. Não há como ver essa cena sem lembrar do Apartheid (e não só por ser ambientado na África do Sul), do Gueto de Varsóvia ou de qualquer outro caso memorável de segregação racial da história do mundo.



Camarões não são bem-vindos na minha barraquinha de cachorro-quente!

Devido ao aspecto de documentário, em alguns momentos do filme vemos depoimentos de cidadãos de Joanesburgo, que dão graças por não serem obrigados a viver no mesmo ambiente que os "camarões" que "roubam seu tênis, seu celular, qualquer coisa que gostarem". Até mesmo o repórteres politicamente corretos culpam os "camarões" por todos os problemas sociais da região, seja pobreza, violência, sujeira ou vandalismo. Afinal, quem nunca ouviu alguém (ou a si mesmo) dizer que os moradores das favelas é que são culpados pelos problemas sociais?

Diante dessa perspectiva, podemos dizer que District 9 é um tapa na cara da sociedade, que sempre tenta, sempre tentou e sempre tentará culpar os "diferentes" pelos problemas existentes, julgando-os inferiores e não merecedores do grande privilégio de participar da vida em sociedade.


Avaliação: f*da > BOM > regular > medíocre > escroto

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